—Tem? pois a menina de que lhe falo é d'esta familia.
—Conheço um fidalgo chamado Gonçalo Malafaya.
—Sem tirar nem pôr. É o pae d'ella.
—Pae d'ella!... Como veio ás suas mãos o retrato de...{106}
Susteve-se Filippe tão bruscamente, que só o conde de Monção deixaria de notar as perturbadas perguntas de companheiro.
—O retrato d'ella mostrou-m'o o pae, aqui ha um anno, quando veio de Lisboa, onde a mandou pintar. De mais a mais, a menina foi lá ensinada n'um collegio, e fala o francez perfeitamente.
Filippe, com quanto alvoroçado, estava longe de presentir o desfecho de taes revelações, e proseguia no inquirimento d'ellas para se recrear falando de Maria, quando mais não fosse.
—Mas,—insistiu elle—com que fim o sr. Gonçalo Malafaya mostrou ao meu amigo o retrato d'essa menina?
—Isso são contos largos; mas lá vae a historia. Em primeiro logar, o senhor não me conhece?
—Não tenho a honra...