Foi elle, pois, quem deu ao frade miudas novas de Alvaro de Silveira. Umas vezes recebia dos parentes uma dadiva, como esmola. Outras, achava-se entre a gentalha, buscando nas fezes sociaes esquecer os explendores que dissipára. Eis ahi que chegava a mão mysteriosa do logista.

IV

Um dia, Alvaro da Silveira quiz annullar o contracto feito com o desconhecido bemfeitor. Aconselharam-n'o que a acção de dolo devia ser intentada por sua mulher contra o comprador fraudulento dos vinculos. Alvaro escreveu a sua mulher uma carta, onde se via um espirito embrutecido pela desgraça, um ar de cynica indifferença, não affectada, porque é ella o caracteristico do homem a seus proprios olhos desprezivel. N'esta carta, pedia Alvaro a Maria que o coadjuvasse a resgatar os bens de que dependia a farta subsistencia de ambos.

Maria respondeu que não podia demandar o comprador de uns bens que ella nunca julgára seus. Accrescentava que os unicos bens de sua posse eram a propriedade do trabalho; e o resultado d'elle reparti'-lo-ia irmãmente com seu marido, se elle o acceitasse. O padre quiz ser portador d'esta carta.

Alvaro não poude evitar a presença do tio de sua mulher. Estava elle vivendo em um quarto de emprestimo na casa de um homem, que lh'o offerecera, não conhecido seu. A providencial espionagem do mercieiro preparára-lhe esse quarto, ao mesmo tempo que o avisavam das intenções de Alvaro, ácerca dos rendimentos comprados.

Eis aqui o que disseram Alvaro e o padre.

--Que futuro será o seu, sr. Alvaro?

--A continuação do presente, quando sua sobrinha não queira tirar-me d'elle.

--Minha sobrinha?!

--Sim. Se minha mulher annullar a escriptura que assignei do trespasse dos meus rendimentos por vinte annos...