--Eu darei o que lhes faltar; mas requeiro debaixo de juramento que nunca a minha protecção seja sabida por algum d'elles.
Oito dias depois, Maria dos Prazeres, ou dos Anjos como a chrismaram no convento, para que o sobrenome não fosse uma falsidade, saiu do convento para uma pequena casa, onde seu marido a esperava com a face inundada de lagrimas felizes.
Aquelle viver dos tres era um santo frenesi de amor; Vinham compartir d'aquella alegria o coronel, a mãe de Maria, seus irmãos, e até a prioreza quiz acompanhar sua filha para lhe conter (dizia ella) os impetos amorosos da lua de mel. O padre estava sempre em continua acção de graças. Ria e chorava ao mesmo tempo o bom do velho. No arrebatamento da alegria abraçava a prelada que tinha sempre um equivoco mui engraçado que dizer-lhe n'esses expansivos abraços: riam-se todos e o coronel rejuvenescia da intempestiva velhice.
--Quem dá os meios para esta casa?--perguntava elle.
--A providencia de Deus--respondia o irmão.
--D'onde vem este dinheiro no principio de cada mez?--perguntava Maria.
--Da Providencia de Deus--replicava o tio ás repetidas instancias.
XVI
Alvaro da Silveira inspirava receios de reincidencia ao padre. A sua primeira conversão parecia sincera e firme, e o anjo do bem abandonára-o ás presas do vicio resurgente. A segunda, semelhante á primeira, com quanto abonada pela experiencia de duras penas, poderia, chegando ao extremo, não vingar. Fr. Antonio temia o tempo, tremia em segredo; e não ousava dizer os seus temores á sobrinha ou á irmã.
O marido de Maria, penetrando o coração do padre, dissera-lhe: