--E que melhor promessa, minha filha?--respondeu a mãe sem levantar os olhos do seu trabalho.

--Queres dar a tua lição, menina?--perguntou frei Antonio, anediando os cabellos negros de Maria.

--Sim, meu tio, mas sem despegar do trabalho, porque tenho grande tarefa. Hoje ha de, permittindo Deus, ficar prompta esta flor; disse-o a mãe... senão... o tio bem sabe...

--Senão o que, minha filha?--perguntou a mãe.

--Senão...--tornou Maria sorrindo com graciosa malicia--não merendo.

--O teu sorriso faz-me chorar...--disse a mãe, limpando os olhos, e violentamente sorrindo.

--Temos lagrimas? Ora vamos...--atalhou o padre, dando ás palavras um tom de risonha ameaça.

--Não, que minha mãe é assim!--tornou Maria.--Não póde mesmo a gente fingir que é infeliz! Permitta Deus que todos se julguem tão venturosos como eu. Tenho pae que amo tanto, e mãe que mais não posso amar! sou tão feliz!... Minha mãe não podia ser tambem assim, se achasse a ventura no meu amor?!...

--Ó minha filha... exclamou a mãe.--Obrigas-me a pedir-te perdão... Castiga-me Deus pelos labios da innocencia... Sim... eu sou muito feliz...

E abraçou-a impetuosamente como impellida por um amor que a transportava.