Os olhos que a contemplam, devem ter sido manancial de lagrimas purificadoras das maculas hediondas do vicio.

Mas ha muito que soffrer desde o amor á posse.

Alvaro da Silveira enamorou-se do anjo do bem, que lhe transluzira de entre a nuvem com que o ministro de Deus lhe escondia um novo mundo. Agitára-se-lhe o sangue no coração, e, no scepticismo, a esperança, que é a vida do espirito. Sentia-se com mais vida, mais alentos e idéas novas. Aprendera a pensar. Mas o pensamento é o gerador das convicções; e as convicções são absolutamente um dom exclusivo da verdade; e a verdade é a perpetua conversação de Deus com o homem. Para Alvaro existia DEUS!

XIV

A incredulidade tem um sorriso de escarneo para estas transfigurações. Erma do coração, e fistulada nas entranhas pela podridão do epicurismo, ri-se, ri-se, ri-se como um demente a quem ninguem contesta o direito de rir.

XV

Fr. Antonio dos Anjos concluira a sua reza. Gonçalo da Silveira esperava anciosamente o ensejo de visita'-lo. Mal ouviu passos no quarto, entrou. Riam-se-lhe as feições, e pulava-lhe o coração na face. O sacerdote achou-se nos braços do velho pae, que soluçava expressões de reconhecimento.

O padre maravilhava-se.

--Pois a que devo eu esta commoção de agradecimentos?--perguntava elle enternecido.

--Salvou meu filho!--exclamava o fidalgo, beijando-lhe as mãos.--Amenisou-me a velhice... Deu-me um bom fim de vida, e uma boa morte. Vós arrancastes meu filho do mau caminho.