--Se a virtude nos não vale...
--A intenção com que me diz essas palavras...
--É boa, Alvaro; é a intenção com que um bom pae aconselha um bom filho, e até um mau filho. Que perda para todos nós se o coração que se te renova hoje, meu filho, obedecesse a uma impressão das que se não deixam vencer por pequenas resistencias...
--Fale, fale, meu pae... tenho precisão de ouvi'-lo porque preciso que me anime a falar-lhe.
--Adivinhei a tua alma?
--Não sei o que vae dizer-me... Quer-me falar da...
--Da filha do coronel... quero falar-te d'esse anjo que nos tem captivos a ambos, e nem eu sei qual de nós daria mais depressa a vida para que nunca um desgosto por nossa causa lhe banhe de lagrimas a face.
--Que desgosto podemos dar-lhe, meu pae?
--Que sentes por ella, Alvaro?
--O pae adivinhou-me... é um anjo que nos tem captivos a ambos; mas o meu captiveiro é cheio de consolações, é uma prisão que me não custa desgostos nem frenesis... Não vê que sou tão feliz assim? Se me dão a liberdade, fazem-me desgraçado. Amá'-la...