—Febril. Chorou muito...
—Porquê?
—Não sei, não m'o diz; o marido sahiu antes de jantar, e não voltou. Vá lá, vá a minha querida Julia consolar essa nova dôr que eu ignoro... Olhe que infortunio este! casados ha cinco mezes! Onde irá isto findar com taes começos!... Metti em casa o verdugo de minha filha... V. Exc.ª verá que a pobresinha vai muito cedo unir-se á mãe, que a está chamando para si...
—Que imaginação a sua, snr. commendador!... Deixe-me lá ir, que estou inquieta... mas espero que isto não passe de alguma passageira tempestade de ciumes...
—Pois sim, será; mas n'essas tempestades é que naufragam as mulheres do coração... as desgraçadas que amam, e preferem morrer martyres a viver vingadas... Vá, vá, seja o anjo amparador d'essa creança... que ninguem quiz salvar... ninguem... Eu só... eu só previ este desastre; mas succumbi ao receio de a perder...
D. Julia foi recebida sem a costumada expansão. Anna Vaz estava recostada ao espaldar do leito; e ao lado da cama a sua creada de quarto enchugava as lagrimas.
—Que tens, filha?—perguntou Julia.{203}
—Que hei de ter?... a minha sorte a cumprir...
A creada sahiu.
Anna pediu á sua amiga que fechasse a porta á chave, pegou-lhe das mãos com vibração nervosa, e disse-lhe: