Era a primeira vez que aquella forte alma se escondia por largo espaço nas trevas da morte.

Quando recuperou os sentidos, e apalpou a realidade medonha da sua vida, inspirou aos amigos, que o rodeavam, o receio da loucura.

Um d'aquelles amigos era o presidente de ministros{286} duque de Palmella, que o levantou nos braços, e o amparou até o assentar na sua carruagem.

Depois, o anjo da piedade beijou-lhe as palpebras. As lagrimas golpharam a torrentes; mas a luz dos olhos sahiu diluida n'ellas. Venceslau aos quarenta e dous annos estava quasi cego.

E viveu!

Vivia em 1867 n'aquella casa triste da charneca de Odivellas, para onde fôra depois que o duque de Palmella fallecêra.

E vivia então pobrissimo, porque a grande riqueza em bens livres que herdára de seus filhos, mandára entregar aos herdeiros de sua mulher; e a maior parte de seus ordenados de official-maior aposentado era repartida pelos filhos de D. Anna Vaz, já morta áquelle tempo no mosteiro da Encarnação, alanciada em todas as fibras do coração de esposa, de filha e de mãe, porque a morte apiedou-se d'ella, só depois que o opprobrio dos filhos lhe deu ao esparto da garganta o derradeiro aperto.{287}

[CONCLUSÃO]

[CARTA DE LUIZ DA SILVA]

«Ha cinco annos que meu tio te referiu a historia do conselheiro da azinhaga.