«Nos raros livros, que apparecem com o teu nome, não tenho encontrado o caso triste.

«Se a opulencia, adquirida nas lettras, te não remiu da galé de escriptor portuguez, conta a historia de Venceslau.

«Esperarias que elle morresse para melhor te inspirares no silencio do tumulo d'aquelle calcinado coração?

«Morreu. Podes afoitamente levantar-lhe o sudario da face morta, e mostral-o.

«Se lhe queres vêr a sepultura, vae á casa onde elle nasceu, ahi nos arrabaldes de Lamego.

«Morreu rico. Em 1868, succedeu na herança do irmão morgado, realista inflexivel que nunca lhe perdoára a loucura de trocar o habito de benedictino pela{288} fardeta de voluntario da Rainha no cêrco do Porto. Colhido de sobresalto pela morte, não teve tempo de desvincular os bens e dal-os ao Papa.

«Venceslau sahiu da casa, onde esperava morrer n'aquella gandra arida onde o viste.

«Levou-o o desejo de fechar os olhos onde a sua estrella funesta lh'os abrira.

«Viveu lá seis mezes.

«Legou importantes bens de raiz e oiro em barda que encontrou amuado nos velhos contadores de seus avós.