—Deu-me um profundo golpe, snr. Taveira!... Estou a braços com a desgraça...
—Eis-ahi uma dôr que me assombra!—redarguiu o jornalista.—Que conceito, pois, fórma V. S.ª de Eduardo?
—Não sei, não sei que presagios me despedaçam o coração! Não lhe conheço vicios... ninguem o accusa, ninguem o denegriu na minha presença, tenho-o recebido{112} com affectuosa familiaridade; pois, apesar d'isso, eu não queria que tal homem casasse com minha filha. E, se eu impugno tal casamento, qual é a dignidade de Eduardo Pimenta em requestar minha filha?
—Seria indignidade grande requestal-a com a certeza de que V. S.ª recusa conceder-lh'a.
—Pois, snr. Taveira, auctoriso-o a declarar ao seu amigo que lhe nego minha filha. Não ha nada mais explicito e summario.
—E, se o meu amigo me perguntar que actos de sua vida o desconsideram na opinião do snr. commendador, que responderei?
—Responda que um pae não é obrigado a justificar a sua vontade.
—Muito bem. Eduardo não póde honestamente voltar a casa de V. S.ª
—É claro.
—Foi por tanto expulso de sua casa, snr. Vaz, o homem que eu lhe apresentei, não é assim?