O meu amigo bateu duas aldravadas na porta.
—Está aberta; levante o ferrolho quem é—disse uma voz de dentro.
—É vivo o homem!—disse Luiz, entrando.
Caminhamos por debaixo de uma parreira, cujos pilares se vestiam de festões de rozeiras vulgares e descuradas, alastrando-se por terra, e formando alcatifa de rosas murchas. Ao cabo da fresca e assombrada avenida, encontramos um caramanchel enverdecido de trepadeiras,{11} e lá dentro um ancião sentado em escabello de cortiça, afagando um gato maltez que lhe dormitava sobre os joelhos, e com pachorrento desdem entre-abriu os olhos á nossa chegada.
O velho formou com a mão direita um quebra-luz sobre os oculos verdes que pareciam coar-lhe aos olhos escassa claridade, e disse com prasenteiro semblante:
—Quem me faz a honra?...
—É Luiz da Silva e um amigo que tem a honra de ser apresentado a V. Ex.ª
Depois da apresentação, o sujeito, para quem o meu nome não era inteiramente desconhecido, disse ao meu amigo:
—Muito ha que o não vejo, snr. Silva. Seu tio general esteve aqui ha tempos, e me contou que V. Ex.ª andava a correr mundo. Conte o que viu.
—Vi o que Salomão via em tudo: vaidade.—Respondeu, sorrindo, o meu companheiro.