—Ah!... entrei-te no coração, Lulu!... Cuidas que me enganas?

—Enganar-te!... Quando te menti eu, filha? Perguntaste-me se me elle amava, disse-te que não. Perguntas-me se eu o amaria... Olha, minha amiga... se eu podésse amar um homem...{159}

—Ainda agora te ouvi dizer que se elle declarasse que te amava...

—Que mais ouviste?

—As reticencias... o embaraço... aquelle eu sei!

—Sim, eu sei! Provavelmente ouvia-o com senhoril delicadeza, pedia-lhe que me deixasse pensar, e depois...

—Que dizias depois?

—Se eu ainda não pensei para responder a elle, como hei de responder a ti! Que indagadora! Se não fechassem a inquisição no anno passado, e fosses varoníl como eu, vestias a tunica dos dominicos, e ias interrogar judeus e feiticeiros!

—Vou fazer-te uma prophecia—disse solemnisando o gesto de sibylla a esposa de Eduardo.

—Vá, sóbe á cadeira, já que não temos tripode, e prophetisa de lá, na certeza de que és oraculo por tal modo transparente que eu já sei o que vaes vaticinar.