Não se me abriu ensejo de pedir a Venceslau Taveira licença de o visitar, nem elle me offereceu a sua casa. Facil era de perceber que, se as visitas lhe eram agradaveis, a solidão lhe era mais recreativa que as visitas.
Convidou-nos para o seu chá, quando anoiteceu, e acompanhou-nos até á porta do quintal.
—Quem é este homem?—perguntei ao meu amigo.
—A historia d'este homem ha de contar-t'a meu tio general que é do tempo d'elle, e vem todos os annos da provincia de Traz-os-Montes visitar o seu companheiro de infancia. Os lances essenciaes poderei referir-t'os; mas as particularidades só meu tio Pedro as sabe.
—Que posição social tem elle? Ouvi-te dar-lhe excellencia.
—A «excellencia» poderia significar que elle não tem alguma posição social; ainda assim, dou-lhe excellencia, porque o seu appellido representa familias antiquissimas da Beira Alta; além d'isso, é do conselho de Sua Magestade, official maior de secretaria aposentado, gran-cruz da ordem de Christo, etc.
Desde Odivelas a Lisboa, me referiu Luiz da Silva as passagens capitaes da historia de Venceslau Taveira.
Alguns mezes depois, o general Pedro da Silva chegou a Lisboa, e, a rogos do sobrinho, contou-me circumstanciadamente{14} successos que elle denominava os obscuros heroismos da mais honrada e excruciada alma.
E concluiu d'esta maneira: