VIII
Rachel
Libavas, borboleta, a flôr da vida
No parque ameno d'ideaes chimeras.
Que seja amor, não sabes; mas esperas
Vencer captiva, e captivar vencida.
Chega a paixão... Retraes-te espavorida!
Saudade tens das quinze primaveras,
Em que, menina e moça, amada eras,
Sempre isenta, risonha e distrahida.
Vence a paixão... E o teu anjo innocente,
Desligado de ti, mésto e dolente,
Regressa para o ceo; mas vai chamando-te...
Não foste! És presa á minha desventura!
Em grande amor te dei grande amargura...
Fui teu verdugo, mas verdugo amando-te.
IX
Alexandre da Conceição
Bem me lembra que o vi, na juventude,
Rosado pela aurora d'essa idade.
Eram prismas d'amor e d'amisade
Os carmes do seu mystico alahude.
Sendo fatal que degenere e mude
A crença, o affecto e o bem da mocidade,
Sangram-lhe o peito espinhos de vaidade,
Nos arranques da briga azeda e rude.
Mais tarde o encontrei. Já era o homem
Ralado por desgostos que consomem,
E põem na face um gesto acre e severo.