Mas que delicias tem esse reinado?!
Senhora, alguma vez não invejaes
Os remançosos dias sempre iguaes,
D'um doce egoismo calmo e recatado?

Reinar!... reinar chorando a cada hora!
O vendaval da dôr que ruge fóra
E a propria dôr!... Chimeras dolorosas!

Ha tanto abysmo em flóridos caminhos...
O diadema de Christo era de espinhos!...
Sagradas sois, corôas tormentosas!

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VII
Velhos problemas sagrados

Pergunta-se á divina Providencia
Que segredos são estes do Destino?
Ha vidas triumphaes: parecem hymno
Sem nota de penosa intercadencia.

Mimosas em regalos d'opulencia,
Não soffrem o revez d'um desatino:
Se o buscam, acham sempre o Velocino,
Sem medo que naufrague a consciencia.

Outros vão sobre espinhos arrastados
Pela mão da Virtude, acorrentados
Aos preceitos sanctissimos do Eterno!

Quem deu á infamia vida tão folgada?
Quem dilacera a honra? É Deus ou Nada?
Responde, Excelso auctor do meu inferno!

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