Revives na saudade, alma serena!
Se a patria em que reinaste era pequena,
Fôras em maior reino um grande rei.
V
Lagrimas
Senhora! em vosso rosto macerado
Transluz da alma afflicta a immensa dôr!
D'um lado, a morte; do outro, o vosso Amor
Tremenda lucta ao pé do Esposo amado!
Contaes as pulsações do peito anciado
Em estos convulsivos do estertor;
Só podem vossos labios dar calor
Áquelle corpo inerte, hirto, gelado.
Vós bem vêdes, Senhora, este quebranto
Que enluta Portugal! Ergue-se o pranto,
Quando a morte do Paço se avisinha...
Pois quanto uma nação póde soffrer
Não tem o acerbo e intenso padecer
Das vossas sanctas lagrimas, Rainha!
VI
Corôa de espinhos
Das trevas d'alem-mundo o esposo amado,
Rainha, é Rei comvosco! Inda reinaes,
Que o vosso throno assenta em pedestaes
Dos corações que tendes conquistado.