(Na morte quasi simultânea dos dois filhos unicos de Theophilo Braga)
Que immensas agonias se formaram
Sob os olhos de Deus! Sinistra hora
Em que o homem surgiu! Que negra aurora,
Que amargas condições o escravisaram!
As mãos, que um filho amado amortalharam,
Erguidas buscam Deus. A Fé implora...
E o ceu que respondeu? As mãos baixaram
Para abraçar a filha morta agora.
Depois, um pai que em trevas vae sonhando,
E apalpa as sombras d'elles onde os viu
Nascer, florir, morrer!... Desastre infando!
Ao teu abysmo, pai, não vão confortos...
És coração que a dôr impedreniu,
Sepulchro vivo de dois filhos mortos.
IV
Luiz—O Bom
Quando El-Rei D. Luiz for accolhido
Aos penetraes da escura eternidade,
Será pungente a funeral saudade
Que mais pondera e chora o bem perdido...
Não houve em seu reinado um só gemido
De guerra fratricida! A Magestade,
Passando o sceptro ás mãos da Caridade,
Baixava ao lar sem pão, do desvalido.
Senhor! deram-te as lettras ledos dias,
E as intimas, supremas alegrias
De quem trabalha—Eterna e sancta lei!