XXI
Messias

Oliveira Martins, por toda a parte,
Se augura que será novo Pombal!
Vou dar-lhe uns leves toques d'immortal
N'um soneto pomposo, primor d'arte!

Prostrada Lusitania, irmã de Marte,
Emerge d'este podre tremedal!
Levanta-te, caduco Portugal,
Que os philtros do Martins vão remoçar-te!

Ouvides estrallar o Terramoto?
O sangue dos ladrões, continuo moto,
Já faz nas praças charcos e meandros!

Ministro redemptor, não retrogrades!
Se Joaquim d'Aguiar foi mata-frades,
Sê tu, bravo Martins, mata-malandros.

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XXII
Portugal Contemporaneo

Não se olvidem jámais os casos serios,
E as epicas façanhas dos Archontes!
Ó Musa da calumnia, não me contes,
D'esta luza Calabria altos mysterios.

Fulminavam-se outr'ora os ministerios,
Porque tinham ladrões; depois, o Fontes,
Rasgando á patria novos horisontes,
Exterminou os Verres deleterios.

Sumiram-se os fataes homens sinistros!
Já não são sacerdotes os ministros
Do vil bezerro d'ouro, ou da bezerra.