Matronas de comprados caracoes,
Que ao ceu não vão de certo com palmito,
Se, primeiro, parecem de granito,
De borracha é que são; mas é depois...
Ha povos que se nutrem só de flores,
É Camões quem o diz. Tambem Lisboa,
Vapora fragrantissimos odôres.
Mas eu não sei dizer-lhes, meus senhores,
Se os taes cheiros são coisa má ou boa:
Sei que é d'elles que vivem os auctores.
XXV
Lisboa bucolica
Na lusa Babylonia ha parvoices
Atavicas, talvez; pois bons auctores
Carimbam de sandeus os fundadores,
E chamam parvo ao seu caudilho Ulysses.
Assim começa o rol das taes tolices:
Familias vão, nos mezes dos calores,
Refrigerar no campo os seus ardores,
E haurir das frescas brisas as meiguices.
Alugam-se uns casebres purulentos,
Onde os ratos vorazes e macrobios
Esfarelam a dente os vigamentos.
Mettidas n'esses fetidos cenobios,
Depois de incalculaveis soffrimentos,
Voltam do campo cheias de microbios.