EGAS MONIZ
Representa-se no Porto um drama chamado Egas Moniz. Não louvo nem censuro a composição, nem discuto se melhores interpretes a realçariam no palco. Tambem não levanto a já debatida questão da veracidade do facto. O snr. Alexandre Herculano crê que o aio de Affonso Henriques praticou o feito heroico. É o bastante.
Quando o drama se annunciou, a primeira vez, nos cartazes, um homem de sessenta annos, vestido de preto, sobrecasaca no fio, o velludo da gola rapado, as calças recortadas e lamacentas á volta das botas azuladas de velhice, parou á esquina da rua Formosa, a lêr o cartaz grudado no cunhal da igreja das Almas.
Eu reconheci-o a distancia, avisinhei-me, e parei, por detraz d'elle, em frente do cartaz, meditando.
E meditava isto:
Egas Moniz gerou Lourenço Viegas, o espadeiro;
Lourenço Viegas gerou Egas Lourenço;
Egas Lourenço gerou Sueiro Viegas Coelho;
Sueiro gerou João Soares Coelho, valido de D. Affonso III;
João Soares Coelho gerou Pedro Annes Coelho;