Ninguem me dê definições d'este preceptor infeliz!

Contem-me esta passagem, que eu não preciso cenhecel-o de perto, nem lobrigar-lhe o feitio interior dos camarins do pensamento. É um cháos! Eu já não me admirarei se o snr. Theophilo, depois de esponjar alguns centos de livros, escrever uma Errata geral n'este sentido: onde se lê: Obras de Theophilo, leia-se: Manobras do mesmo.

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Se o leitor quer, vamos agora farejar sangue de Camões nas veias dos nossos contemporaneos. Não cuide, porém, que vai deliciar-se n'esta leitura. É materia árida, fructo das taes insomnias constantes do proemio do numero primeiro.

Vasco Pires de Camões veio de Castella no tempo de Fernando I. Foi alcaide-mór de Alemquer e Portalegre. Fugiu para Castella, quando o mestre de Aviz se levantou com o reino. Foi prisioneiro em Aljubarrota, perdeu os bens da corôa; mas cá ficou.

Gonçalo Vaz, seu primogenito, instituiu um morgado em Evora, chamado da Camoeira. Não temos que vêr com os outros filhos, cujos descendentes ou foram pobres, ou identificaram os seus haveres nos morgadios do primeiro ramo, á falta de geração.

Succedeu-lhe Antonio Vaz, pai de Lopo Vaz de Camões, cujo primogenito, tambem Antonio Vaz, teve um filho, que outro sim se chamou Lopo, e fez um morgado em Aviz.

D'este ultimo gerou-se D. Anna de Castro, que foi casar a Guimarães com Diogo Lopes de Carvalho, quarto senhor dos coutos de Abbadim e Negrellos no tempo de Philippe II.

Luiz Lopes de Carvalho, 5.º senhor dos coutos, foi assassinado em Guimarães.

Gonçalo Lopes de Carvalho Camões e Castro Madureira, bisneto de Lopo Vaz de Camões, succedeu nos morgados da Camoeira da Torre de Almadafe no termo de Aviz, e da Gesteira no termo de Evora, ambos creados por Gonçalo Vaz de Camões e Duarte de Camões, ultimo representante da varonia, que morreu sem geração, e por isso os vinculos passaram aos descendentes femininos de Lopo Vaz de Camões, que eram os senhores de Abbadim e Negrellos. Existia esta posse em 1692[4].