«Simão Vaz de Camões, que em 1562 casou em Coimbra com Francisca Rebello, filha de Alvaro Cardoso[3].»
Convido o snr. Theophilo Braga a declarar onde leu a noticia de tal casamento! Com toda a certeza, a primeira pessoa, que imaginou vêr isto em letra de mão, e o pôz em escriptura, desde que ha letra redonda, fui eu.
Pesa-me do intimo seio que o snr. doutor T. Braga escorregasse na ladeira do meu engano. Já o snr. Felner lhe armou a esparrella da carta de Ayres Barbosa; e eu, mais innocentemente, fil-o casamenteiro de Simão Vaz com Francisca Rebello! É fado esquerdo do snr. Theophilo! Porém, o que tem graça infinita é o snr. doutor fixar o anno do casamento em 1562! Que eu o inventasse, vá; mas que o snr. Theophilo lhe marcasse o anno, é vontade de callaborar nas indiscrições alheias!
Isto não é simplesmente criancice párvoa--é desgraça; é mais que desgraça--é castigo da Providencia, porque o sr. Theophilo ladrou arrogantemente a Castilho, a Herculano, a Garrett, a Rebello, a Varnhagen; e não houve ainda detrahidor tão audaz, tão ignorante, e, sobre ignorante, ridiculo.
O meu lapso procedeu de confundir dous nomes confusamente escriptos em uma arvore genealogica. Simão Vaz de Camões, o libertino parente do poeta, casou com uma sua criada, e morreu sem descendentes. Esta é a verdade. Quem casou em Coimbra com Francisca Rebello, filha de Alvaro Rebello Cardoso, morgado das Caldas, foi Simão Vasconcellos, e não Simão Vaz.
Cá me fica pesando na consciencia o tempo e o papel que o snr. Theophilo desperdiçou. De ambas as cousas tenho escrupulo; menos da data do casamento; que essa é d'elle.
Mas, se o snr. Theophilo substituiu as duas paginas que eram a fonte do erro, porque não supprimiu as correntes que derivam d'essa fonte? Não viu que todas as referencias ás paginas substituidas ficavam incomprehensiveis? O sentimentalismo que enternece o pesar do poeta pela prisão do pai não póde subsistir racionalmente na prisão do primo! Que faz então o snr. Theophilo? Usa processos sobre maneira economicos:
ERRATA
Onde se lê pai, leia-se primo.
E está acabado.