Ruy Ferreira voltou ao reino, e succedeu na casa de seu pai.
Ninguem lhe pediu saldo de contas com os descendentes do abbade que naturalmente os tinha, de collaboração com as mais nitidas ovelhas do seu rebanho.
Disputou a posse do morgadio de S. Pedro de Fajozes, no concelho da Maya, a sua prima D. Joanna de Eça, da casa de Cavalleiros. Ganhou a demanda.
Em seguida, casou com D. Philippa de Athaide, filha de Martim Lopes de Azevedo, decimo primeiro senhor da casa e solar d'Azevedo e da Villa de Souto.
Tiveram seis ou mais filhos; parte d'estes morreram na India.
A representação d'esta casa, volvidos 60 annos, estava em Duarte Pacheco Pereira, governador de Ormuz, descendente do heroe desgraçado que teve aquelle nome; porque um bisneto de Ruy, chamado Luiz de Mendonça, casou com D. Guiomar de Albuquerque, neta de Duarte Pacheco Pereira.
Eu não sei se algum dos trinta e quatro barões que conheço, estando no Brazil, e sabendo que seu pai, o tio Antonio da Thereza, foi espancado pelo estadulho do tio Joaquim da Thomazia, seria capaz de vir da rua da Quitanda desaffrontar o seu velho progenitor! Acho que não; e faria muito bem. Ha 300 annos, aquelle Ruy poz o abbade a dormir o somno eterno, cavalgou na sua mula, e lá foi socegadamente para Lisboa, e de Lisboa para a India. Hoje em dia, se o barão de Ranhados matar o Januario do Quinchoso, que lhe bateu no pai, o mulherio grita á d'el-rei, o regedor participa ao administrador, este faz uma circular telegraphica para os quatro pontos cardeaes, e o barão, quando chegar, mais aqui ou mais além, dá de cara com dous policias, e depois bem sabemos o resto.
Mudaram os tempos pela mesma razão que mudaram os fidalgos. Não ha pai por filho nem filho por pai, em quanto se ganha dinheiro.
Entre heroismo antigo e dinheiro moderno está um fosso. Quem quizer palmilhar de salto as duas orlas do abysmo cahe no ridiculo ou... nas mãos da policia.