É o diabo este homem! Má mez p'ra elle!
Lá que o rapazola verbere os escriptores vivos que lhe não aceitam o ideal, é bem feito. De Mendes Leal, por exemplo, diz que é uma antigualha que só apparece nos leilões dos burguezes de ha 40 annos. De Castilho diz que lhe riscára o nome, depois que o outro Joaquim lhe applicou o processo. (Ai d'aquelles a quem o outro applica processos! Eheu!) De Herculano diz: «está decrepito». Todos estes e outros de menos porte são os relapsos do ideal de Joaquim; mas Garrett e Rebello da Silva? Um era já morto; o outro fallecia quando o enxovedo alvorejava n'este novo dia da sciencia patria. É crueza injurial-os, posto que Joaquim Theophilo Fernandes lhes haja applicado o processo.
Este Fernandes já processou o Herculano, e disse: «O snr. Alexandre Herculano nunca teve vocação litteraria[13].» E o Eurico? E a Abobada? E o Monge de Cistér? E o Bobo? e a Historia de Portugal? e a da Inquisição! e a Harpa do crente? Cuida o leitor que é mister vocação litteraria para escrever estas cousas? Não, senhor. Estes livros só os escreve quem a não tem. O snr. Herculano, se tivesse vocação litteraria, fazia umas botas.
Parte d'aquellas obras diz Fernandes que é glosa da Notre Dame de Victor Hugo.
Eurico é a variante do typo de Claudio Frollo;
O Monge de Cistér é variante da paixão de Esmeralda e de Phebus;
O Bobo é o desenvolvimento de Pierre Gringoire;
A Historia de Portugal é apenas a historia dos concelhos precedida da biographia dos reis.
Depois, escalpella-lhe a linguagem, e diz que o seu estylo só se admitte nos rapazes de escóla[14].
O leitor está em dizer que este Joaquim parvoeira tão fóra dos termos concedidos aos sandeus que a policia não deve ser estranha ao escandalo.