[16] Obra cit., pag. 253.
FLORES PARA A SEPULTURA DE FERREIRA RANGEL
É o snr. Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos que m'as envia. Irei levar-lh'as. Conheço a valia que principia a hervecer. As côres alegres da esperança cobrem a podridão.
Estão como a dizer-nos que o viver é olhar para diante e para os vivos; e nada de mortos nem de saudades. Iremos levar-lhe as flôres do seu amigo da mocidade.
Antonio Augusto escreveu, a respeito de Ferreira Rangel, no seu Jornal da Noite, uma pagina assignaladamente formosa e triste. Alli ha coração, ha lagrimas, ha o que quer que seja que resgata o delicto da imprensa, silenciosa, na morte de um valoroso obreiro da liberdade, e modesto cultor das letras. E, ao proposito de letras, acrescentarei que Ferreira Rangel, nos derradeiros annos da vida, tinha uns cem volumes de obras portuguezas mais de sua feição; e, quando expirou, esses cem volumes estavam empenhados para o custeio dos ultimos caldos.
Indemnise-se a indigencia d'este homem de bem com a riqueza do alto louvor que lhe apregôa um brilhante espirito a quem não se escondem as desventuras alheias, nem esmorece o brado a favor dos desvalidos.
Estas são as palavras pungitivas e eloquentes do grande escriptor: