Perdidas as esperanças, Martim Lopes de Azevedo provou as angustias do carcere e desterro, até que, volvidos annos, conseguiu perdão de Philippe II, mediante o patrocinio de sua tia D. Leonor de Mascarenhas, que havia sido dama da imperatriz D. Isabel, mãi do rei que lhe perdoou. Todavia, o mais grosso de seus haveres em commendas e senhorios da corôa nunca mais voltou á casa de Azevedo. Todos os conjurados contra a usurpação, cedo ou tarde, se recobraram, e houveram generosas indemnisações dos reis brigantinos; não assim os descendentes de Martim Lopes, cujo representante, em 1874, dos bens de seus avoengos possue apenas o que a rapacissima vingança de Philippe II lhe deixou. Entre os netos de D. Arnaldo de Bayão e os do bastardo de Ignez Pires não tem havido no decurso de tres seculos humiliações de vassallos nem magnanimidade de reis.

Volvendo á suppositicia carta de Pedro de Alpoem, aceitemos de seu author, quem quer que fosse, o bosquejo do duque de Bragança, auxiliar, senão causa primaz, da escravidão de Portugal, da degradação da nobreza, da miseria do povo, do perdimento das colonias, e dos atrozes flagellos que se contaram pelos dias de sessenta annos.

Sirva este papel de vestibulo por onde depois entraremos ao archivo secreto da veniaga que maniatou o duque de Bragança aos calcanhares de Philippe II.

[18] N'esta capella ainda existe a sepultura com epitaphio dos ascendentes de Pedro de Alpoem, mandada construir por seu avô do mesmo nome em 1514.


ERRATA DO N.º 2

Pag. 42, linha 3.ª:

Aquillo com que mais se accende o engenho.

Emende:

Aquillo «com que mais se accende o engenho».