Quando alli chegou, esperavam-o a esposa e dous filhos.
A esposa chamava-se D. Maria de Azevedo, filha do senhor da Louzã Rodrigo Affonso Valente e de D. Leonor d'Azevedo, que herdára grandes haveres de sua tia D. Ignez Gomes de Avellar.
Os filhos do Decepado chamaram-se Affonso Lopes, e Ruy Lopes de Almeida. Affonso, o successor das honras e coutos de Villarigas e Cavallaria, casou com D. Leonor Vaz Castello Branco, filha de João Vaz Cardoso, aio do conde de Barcellos.
O filho segundo, Ruy, foi para Castella, como veador da princeza D. Joanna, filha de D. Duarte, e mulher de Henrique IV.
Esta geração de fidalgos continuou honrada e rica até á duodecima neta de Duarte de Almeida, a snr.ª D. Eugenia de Almeida de Aguilar Monroy da Gama Mello Azambuja e Menezes que em 15 de setembro de 1834 casou com o snr. Fernando Telles da Silva, marquez de Penalva, de quem teve dous filhos, Luiz, que, nascendo em 1837, morreu ha poucos annos, e D. Henriqueta de Almeida, que nasceu em 1838, e vive solteira. Do snr. Luiz Telles, que foi casado com a snr.ª D. Maria Francisca Brandão, sua prima, existe uma filha, que é já senhora.
Quanto á pobreza e miseria em que morreu Duarte de Almeida, o snr. Pinheiro Chagas foi illudido por Duarte Nunes e Faria e Sousa, que na verdade o authorisaram a deplorar tão sentidamente a sorte do alferes de Affonso V.
Duarte de Almeida succedera a D. Duarte de Menezes no posto nobilissimo de alferes-mór da bandeira. Militando nas guerras de Africa, salvou o pendão real das presas da mourisma, quando Affonso V deu batalha na serra de Benacofuf. (Faria e Sousa, Africa, cap. 6, §. 7.º)
E tanto o rei não foi ingrato aos serviços do seu valente alferes, que, estando em Samora, em 1475, no anno anterior ao da batalha de Toro, ainda antes do heroico feito, lhe fez mercê pelos seus grandes serviços, para elle e seus filhos, de um reguengo no concelho de Lafões, cuja carta de mercê póde lêr-se na Torre do Tombo no Livro que serviu na chancellaria de D. Affonso V, folha 17, e começa: A quantos esta minha carta virem faço saber que pelos muitos serviços que Duarte de Almeida, fidalgo de minha casa, e meu alferes-mór me tem feito assim n'estes reinos de Castella como de Portugal e em Africa, onde sempre me serviu muito bem e lealmente, etc.
O rei, que tanto o apreciára e galardoára, sabido é que foi para França solicitar debalde a alliança do velhaco de Luiz XI. Voltou a Portugal, onde viveu ainda cinco tristissimos annos, forçado a divorciar-se da esposa, desestimado do filho, e desvenerado dos vassallos. Não era, pois, tempo proprio aquelle para premiar heroismos batalha, cuja perda dissimulada em victoria, enlutára o brio e o coração de Affonso V.
O decepado, por sua parte, lá tragava o fel dos seus derradeiros annos na abastança dos bens que, certo, lhe não mitigavam as angustias da mutilação; mas em pobreza e miseria não consintamos sequer á poesia que nol-o figure.