N'este poema queixava-se o gentil allemão das suas illusões perdidas, da sua infinda tristeza, e das angustias de coração com que entrára n'aquelle recinto da charmante jeunesse. Queixava-se outro sim, de ingratidões que lhe ulceravam o peito. Era um romance de amores começado no Porto, romance que bifurcou em dous fios de ouro: um foi prender-se á orla de um throno não sei aonde, outro á carteira de uma casa bancaria em Vienna d'Austria. Brilhantes desenlaces!
E foram os rapazes de Coimbra—aquelles viventissimos rapazes de 1859, Corvo, Vieira de Castro, João de Deus, Northon, Victorino da Motta, e dezenas de galhardos espiritos que lhe degelaram as Maldades do coração retranzido. Gloire à vous! exclamava Herrmann.
[4] Existia no seculo XVII, segundo m'o affirma um escripto nobiliario de testemunha coeva e ocular.
[5] Em 1780 ainda se via n'esta casa a capella, no local onde nascera S. fr. Gil.
MAU EXEMPLO DE POETAS CASADOS
... Une femme prudente y doit regarder à deux fois avant d'épouser un poete!
J. Janin, Le livre.
Se o fino amor não é condão dos poetas, é escusado esgaravatar essa rara perola em outra concha. O amor duradouro é incompativel com a creatura sujeita á decomposição e á morte. As recomposições interiores são incessantes, até ao momento em que o espirito vital se evóla, e a podridão começa.
As reformações da alma operam-se mais de afogadilho que as do corpo. Envelhecem almas em corpos novos. Muita gente sente o graváme e a melancolia da idade de ferro nos annos dourados. Ha tambem o reverso d'isto. Almas floridas em corpos devastados. Os primeiros tem auréola de poesia lugubre. Os segundos são lastimaveis quando, em honra de suas cãs, arrancam um a um os renovos da alma, ou os vão delindo com secretas lagrimas; e são irrisorios, quando aviltam a magestade da velhice, dando resplendor á calva com um nimbo de namorados.