«A democracia, como hereditario, só reconhece um direito, um dever, e uma nobilitação para o homem: é o trabalho.
«É absolutamente necessario que se contem todos os partidarios sinceros e leaes da justiça, e que pela palavra, pelo livro, e pelo exemplo, arrastem os indecisos, e abandonem o restante--os poderosos do dia--aquelles, que não aprendem, nem esquecem nada.
«Attendam a que chegou a hora, em que a menor hesitação, a menor duvida, o menor passo irreflectido, ou a mais timida concessão, podem fazer recuar, para muito longe, o reinado da justiça--o governo do povo pelo povo.
«E povo somos nós todos, que vivemos debaixo do mesmo céo, sujeitos ás mesmas leis, e que exercemos, na sociedade, funcções e misteres diversos, mas igualmente uteis e necessarios.
«Hoje, ha uma só nobilitação: é o trabalho.
«Trabalhemos todos para a revolução nos espiritos--porque concorremos para o advento da verdadeira liberdade, para o governo da justiça social, e para a emancipação da humanidade.
«E assim realisaremos a democracia.»
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Terminava aqui o papel, escripto pelo ancião, condecorado em Souto-Redondo.