Entra o homem na fiscalisação de uma sentina jornalistica; e, apenas me vê a sombra na pagina de um livro, insulta-me. Lanço mão do ferro, carmeio-lhe parte da lã, almofaço-lhe a carepa, e deixo-o. O leitor das Noites bem viu. Mostrei ao insolente que não sabia portuguez nem francez; que não estava na plana dos criticos; que a sua ignorancia, com alguma modestia, poderia grangear a caridade publica; emfim, este sentimento da compaixão ia manietar-me, quando elle, sacudindo o aziar, volveu a espojar-se-me na testada da casa.
O desgraçado resvalou á ignominia. Como não teve que redarguir contra as lagantadas litterarias que lhe verberei á ignorancia, ameaça-me com devassar os actos da minha vida particular. São-lhe franqueados os umbraes da minha vida. Póde entrar o infame.
Ahi está o homem que denigre e deshonra as pugnas litterarias. Estrangulado pela critica severa, resfolegará ainda pela vilta da calumnia.
Veja-se o n.º 94 da Actualidade.
Ao mesmo passo (leia trote) que me insulta, espolia-me o ratoneiro. Cotejemos, e veja-se que até lhe escasseia o brio para se desforçar com palavras de lavra sua. Em um folhetim meu, intitulado a Corôa de ouro, publicado em 1872, escrevêra eu as seguintes linhas:... Uns taes cujo nome infame ha de sobreviver ás producções gafadas, e cuja probidade é tão sómente a necessaria para não serem enforcados, como dizia Molière... Os magarefes da carne putrida que lhes sobeja nas alcovas... E vai elle, o escroc litterario, com pouca alteração, como o leitor ahi viu, faz suas, assignalando-as em grypho para lhes imprimir energia, essas mesmas phrases.
Este bargante, se um dia vier a ganhar a vida esfaqueando a gente, rouba primeiro a navalha á victima. Lacénaire foi muito mais intelligente e honrado: era melhor escriptor, e comprava as facas com que escrevia as suas locaes no redenho do proximo. E Pasquino, quando injuriava, era com palavras proprias.
Supponhamos, porém, que o traste é originalmente insultador. Que motivos lhe dei para o insulto? Dissera-lhe eu que elle estupidamente chamára trilogia a tres comicos. E defendeu-se elle d'essa arguição, que era o ponto da contenda?
Veja o leitor a defeza. Primeiramente attribue a erro do typographo a bestidade. Que villão! Se o artista, que lhe compôz o artigo, tivesse bastante dignidade ou independencia, devia desfazer-lhe o original na cara. Eu de mim creio que na officina da Actualidade não ha typographo tão soez como o gamenho que a redige.
Depois (veja o leitor a meio da columna) nega que houvesse escripto a noticia como eu a interpretára. E escreve que eu alludira ao seguinte periodo de uma local do seu n.º 28: Estão em scena Robespierre, Marat e Danton, a trilogia collossal (com tres ll.--Nem orthographia!)
E acrescenta: