--E a franceza?

--Levantou-se com a soberania de rainha da sua especie, e fez um gesto de retirada a Alvaro.

--E D. Antonia?

--Pasmou, abrindo a bocca tumida de feijão carrapato, e jogando com os olhos pelas caras dos circumstantes.

--E tu?

--Eu estava a traduzir. Sahimos todos silenciosos, e entramos no hotel Francfort. N'essa mesma noite, partimos para o Salgueiral. Alvaro explicou a sua tia o incidente:--aquelle francez amára sua prima que o desprezára; e o infame, que a perseguira desde Saint-Nazaire, vendo-a alli, a insultára. Ouvi estas explicações, e achei-as plausiveis; mas as que me deram depois no Porto foi que o francez havia sido uma das ludibriadas victimas de Cora Pearl, a qual tambem era uma das mais despejadas e absorventes devassas de Paris.

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* *

D'ahi a poucos dias, a hospeda da «viscondessa» mostrou-se enojada da aldêa, e fallou em retirar-se para França. A carinhosa tia pediu-lhe que ficasse até ao inverno; ella, porém, não pôde disfarçar o seu fastio tanto da aldêa como do amante. A meu vêr, a cobardia de Alvaro, na scena do Palacio, devia encher-lhe a medida do tedio. Chegou-lhe a nostalgia dos cafés e dos bosques. Não havia demovel-a.

Era justo que o primo a acompanhasse a Saint-Nazaire. A tia forneceu-o de dinheiro abundante para seis mezes de ausencia, recommendando-lhe que, se encontrasse o francez, o mandasse ao diabo, e não tivesse testilhas com tão malcreado homem. Bem se via que o sangue ardente dos Eças não se transfundira no corpo burguezmente pacato d'esta senhora, nem Alvaro Cordeiro desmentia os pacificos pundonores do avô chapeleiro.

Ha seis mezes que Alvaro foi para França, e por lá está.