«D'estes dous homens vagaram grande numero de commendas, com que poder premiar aos leaes, que estavam servindo.

«Permittiu que vagassem quasi todos os bispados e arcebispados do reino: e que em Roma os não quizessem prover, para com os fructos d'elles se poder mais facilmente sustentar a defensa do reino, e serem pagos os soldados.

«Permittiu que em Roma intentasse o embaixador de Castella affrontar o de Portugal, para que sahisse o de Castella na fugida; e com a reputação perdida desamparasse á vista de todo o mundo a mesma côrte de Roma, acrescentando-se grandemente com isto a reputação do nosso embaixador e do reino de Portugal.

«Permittiu que no tempo da acclamação ficasse Ceuta com Castella para nos não dar n'aquella occasião maior gasto de dinheiro e gente.

«Permittiu que quasi a quarta parte de Castella fossem portuguezes, e que depois da acclamação padecessem tantas vexações, que muitos d'elles tornassem a Portugal, com que Castella perdeu muita gente, e Portugal a ficou ganhando, assim em numero como em riqueza, com dinheiro que de lá trouxeram.

«Finis laus Deo.»


Deus permittiu tudo isto. Uma nação que assim está debaixo da fiscalisação divina, com as inscripções a 46 3/8 e o snr. barão de Zezere na municipal, não póde cahir como Carthago ou Roma.


[O MANOELINHO POETA]