Ao baile de S. Carlos concorreram familias da mais selecta sociedade da capital, e muitas lá não entraram por falta de convite ou carta de admissão, difficil de obter. Entre outras de menos porte, avultavam as familias dos condes de Almada, de Sabugal, da Ega, de Peniche, e de Castro Marim; de D. Francisco Xavier de Noronha, dos desembargadores Lucas Seabra da Silva, Manoel Nicolau Esteves Negrão, e Abreu Girão; dos marquezes de Abrantes, Marialva, Penalva e Valença; concorreram alguns bispos e principaes da patriarchal.

A fim de avaliarmos as curvaturas abjectas por que passou o escol da fina sociedade n'aquelle baile, vamos vêr que as cortezias foram de antemão promulgadas como decreto, e rubricadas pelos generaes Brenier, Thiebault, e Margaron.

O programma foi enviado na lingua do conquistador ás familias duas vezes conquistadas, quando não eram tres, como certas condessas e viscondessas respeitaveis por sua fragilidade e amor cosmopolita. Um curioso contemporaneo, bem ou mal, traduziu, e acertadamente guardou o programma, tal qual se offerece aqui aos espiritos de boa fé que nos estão apregoando sempre o patriotismo de nossos avós:

«ANNUNCIO

«A funcção, que o exercito francez de Portugal dá ao snr. duque de Abrantes, quarta feira 8 de junho, consistirá em um baile de ceremonia.

«Esta funcção se fará na sala do theatro de S. Carlos.

«As pessoas mais notaveis das differentes classes do reino serão convidadas por convites pessoaes, e que servirão de bilhetes para a entrada.

«Entrar-se-ha pelo peristillo grande, e vir-se-ha alli dar pela rua de...

«As senhoras convidadas serão recebidas pelos mestres das ceremonias, que lhes darão a mão até ao seu lugar.

«M.mes Thomières, Trousset, et Foy, farão as honras do baile.