[12] A historia escripta não nos esclarece a obscuridade da allusão.

[13] D. Sebastião de Mattos e Noronha, áquelle tempo, bispo de Elvas; hespanhol de nação, e um dos governadores do reino, em quanto o duque de Bragança, exaltado ao throno, não chegou de Villa Viçosa. Morreu, como conspirador, no carcere da torre de S. Gião.

[14] O inquisidor D. Francisco de Castro, um dos conspiradores contra a revolução de 1640, perdoado e reposto no seu officio por D. João IV, em premio de delatar os seus cumplices.

[15] Não posso rastrear a satyra, se ella entende com Miguel de Vasconcellos. Póde ser que n'esta copia falte a decima que prendia com o caso picaresco de Enxobregas. Presumo, pelos versos seguintes, que o satyrisado seria o bispo de Elvas, D. Sebastião de Mattos.

[16] Francisco de Lucena, apedrejado pelas regateiras do Porto, em 1628, como executor do tributo das maçarocas; secretario das mercês de Filippe IV em 1638; secretario de estado de D. João IV em 1641, e degolado, como traidor, em 1643. Da sua innocencia diz D. Luiz da Cunha na sua conhecida Carta a D. José I: «... Conhecendo elle (D. João IV) a innocencia de Francisco de Lucena, seu secretario de estado, o deixou condemnar á morte, porque os fidalgos o fizeram passar por traidor, não podendo soffrer que elle lhe aconselhasse que lhes não devia alguma obrigação em lhe porem a corôa na cabeça, por que lhe era devida, a fim de que se não julgassem credores de grandes recompensas.» Veja o romance historico O Regicida, pag. 227, onde se imprimiram pela primeira vez os conselhos de Francisco de Lucena a D. João IV, que lh'os pagou briosamente.

[17] Não pude attingir as referencias.


[UM BAILE DADO A JUNOT, EM LISBOA]

Os monographos da invasão franceza em Portugal não descrevem nem ao menos citam o baile dado a Junot, no theatro de S. Carlos, na noite de 8 de junho de 1808.

Esta omissão, de nenhuma importancia ao primeiro aspecto, significa o receio de ferir as pessoas que assistiram ao obsequio prestado ao general de Napoleão. O resguardo era racional, quanto aos noticiaristas coevos do baile; mas hoje em dia a deferencia é escusada, visto que os filhos e netos dos jacobinos de 1808 se prezam de procederem dos homens mais liberaes d'aquelle tempo.