O estado catholico está na igreja, e por isso legítima os seus poderes todas as vezes que recorre para este fim ao poder espiritual do summo pontifice. A era actual é a perfeição da disciplina.
[LIXO]
O snr. Joaquim Antonio de Sousa Telles de Mattos, critico erudito e menos conhecido que merece, publicou, em Evora, um opusculo intitulado: A imparcialidade critica do snr. Joaquim de Vasconcellos. Allude á Analyse critica da versão do Faust. A obra do critico do snr. visconde de Castilho é um livro crasso que morreu de tabardões, e jaz no carneiro das livrarias esperando que o dente roaz da carcôma o pulverise por modo que as letras portuguezas se desenfezem d'aquellas escamas de ignorancia e odio.
O snr. Telles de Mattos colligiu algumas necedades graudas que denominou vasconcellismos.
Abre a lista, com a novidade—declinar verbos. Eis a passagem onde se encontra o lerdo descôco do critico de Castilho: Nenhum doutorando dos ultimos cinco annos em Coimbra, estaria no caso de declinar os verbos auxiliares allemães, sem merecer palmatoada... (pag. 26). E acrescenta o snr. Mattos: «Quando eu vi o Sejai e Estejai julguei que era erro typographico dos germanismos annunciados; vendo porém declinar verbos, percebi que o snr. Vasconcellos saberá tanto de allemão como qualquer analphabeto nascido debaixo do paternal carinho de Bismarck.»
Observa que a pag. 57 o snr. Vasconcellos inclue a Suissa na Allemanha; e acrescenta: «A Suissa pertence á Allemanha na geographia do snr. Vasconcellos; ella deve ser equiparada á sua grammatica.»
Nota que o snr. Vasconcellos escrevendo: os manes do Olympo (pag. 128) désse a perceber que os deuses olympicos tem manes. Manes tanto significam almas dos mortos como deuses infernaes. A mythologia do snr. Vasconcellos é como a geographia, e não desdiz da grammatica.
Cita, na pag. 208, o imperativo do verbo ser, apud Vasconcellos: «Sejai pois corajoso e apparecei como modêlo.» E a pag. 507: «Sejai tão infames quanto quizerdes.» E a pag. 337: «Estejai dentro ao golpe da sineta.» Coup de clochette—golpe de sineta, segundo Vasconcellos. Em portuguez, traduz-se badalada, ou toque de sineta. Desculpem esta observação os alumnos de instrucção do 3.º anno dos lyceus.
«Desço eu (diz o snr. Vasconcellos a pag. 239) sem cessar de cima para baixo.» O snr. Telles de Mattos ajunta: «Leitor, agradece a fineza: sem o pleonasmo, ficavas percebendo com certeza que se desce de baixo para cima.»