Despedi-me, ha dias, de assignante da Actualidade. Estou arrependido. Devemos todos contribuir com alguns cobres para que Anselmo de Moraes não seja forçado pela necessidade a picar-nos (giria d'elle) o paletó no cunhal da viella da Neta. Em quanto aquelle archi-pulha tiver gazeta, o seu pão, embora deshonrado, garante-nos do assalto nocturno. Não lhe leio mais o jornal; mas dou-lhe a esmola dos 240 reis mensaes. Mande-os receber em quanto a espinha em via de amollecimento me consentir subscrever com seis patacos, a fim de que elle me não liquide a cadêa do relogio.

É verdade: affirma o impudentissimo caloteiro que tem lá uns titulos do saldo de nossas contas.

A fim de que esses documentos appareçam, offereço o seguinte e perpetuo supplemento a todos os numeros da Actualidade:

ANSELMO DE MORAES É RADICALMENTE LADRÃO, COM UM CORTEJO DE TORPEZAS ESPECIAES E RARAS NOS LADRÕES MAIS DESPEJADOS.


[AO PUBLICO]

AO PUBLICO

Distribuiu-se ahi ha dias com generosa profusão um libello famoso por motivos a que sou completamente estranho, mas em que nem por isso quizeram que eu deixasse de figurar.

Indignou por ahi a todos a alludida publicação, sem exceptuar os proprios amigos ou parciaes do signatario d'ella, o snr. Anselmo de Moraes. Dou-me com isso por bem vingado das malevolas intenções que me apontaram ás iras atravessadas do insultador enraivecido. Não ha desforço pessoal que valha tanto, e, ainda que o houvesse, não seria eu que o tirasse. A dignidade nem sempre manda procurar o aggressor, antes ás vezes exige que se evite.

O meu fim é, pois, sómente esclarecer o publico, a quem respeito, como devo, e de quem quero continuar a merecer bom conceito, ácerca da perfida insinuação com que se intentou manchar a minha probidade commercial, que só d'isto posso aqui fallar sem offensa da moral publica. Obrigou-me aquella insinuação a dirigir-me ao exc.mo snr. José Gomes Monteiro, que, como homem de bem, se dignou dar-me o testemunho que se segue: