Aqui proeja-se ao descançado porto das situações gananciosas, e deixa-se ao acaso resolver os problemas.

O snr. visconde de Ouguella revelou-se n'este severo estudo um espirito de grande alcance, e discipulo dos que melhormente professam a sciencia historica. Se algumas vezes a sua penna roça asperrima na crusta das ulceras que lhe fazem nauseas, resgata-se briosamente avoando ás regiões altas, no rasto luminoso das augustas verdades.

O livro, que ha de ser a affirmação da honrada consciencia que nunca, desde a primeira mocidade, apostatou da religião do berço, é dedicado a uma formosa criança, Ramiro Soares de Oliveira da Silva Coutinho, filho do snr. visconde de Ouguella.

São maviosas de affecto paternal e de nobre civismo estas expressões que o pai dirige á alma que se está formando entre as caricias de uma familia virtuosa: É incentivo, estimulo e lição, para seguir, como luzeiro e farol do seu futuro, as nobilissimas tradições liberaes, legadas por seu avô, e meu presadissimo pai, Ricardo Sylles Coutinho. Seja este tambem o testemunho do meu acrisolado amor filial.

O prefacio que precede os Salões é igual a elles na elevação e rigidez da idéa, no donaire e esplendor da linguagem; mas avantaja-se ao restante como prognostico dos brilhantes capitulos que hão de proceder de tão desprendido e intransigente programma.

São raros em Portugal os escriptores que, á imitação do visconde de Ouguella, podem enlaçar a independencia com o talento, e esculpir no frontal do templo, onde os vendilhões armam tenda de bufarinheiros a legenda, que lhe compete.

Eis o prefacio:

AO LEITOR

La pensée est pouvoir.
Tout pouvoir est devoir.
VICTOR HUGO.

Este livro tem uma missão, e tem um fim.