Escripto para o povo, a sua missão é levar a luz ás ultimas camadas sociaes. Diffundil-a no tugurio do operario, e na choupana humilde do aldeão.

Inspirado nas mais sinceras crenças da democracia, aceita, como fim, arrancar ás garras d'esse immenso desalento e d'essa torpe corrupção—que por ahi vai gangrenando as sociedades—os generosos espiritos populares, para que as almas se não gelem, e os corações—que vivem de nobres aspirações—se não atrophiem, n'este completo desmoronamento de todas as instituições existentes.

O author d'este livro não tem pretenções, nem vaidades, nem receios. Não se julga apostolo, nem propheta, nem vidente. O mais obscuro dos obreiros d'este seculo—como é, e quer ser—escuta, attento, o ruido que vai lá fóra, nos paizes onde a idéa tem um culto, onde as crenças consubstanciam religiões, onde as sociedades se debatem na agonia de organisações politicas, sociaes e religiosas, que tendem a desapparecer; e pelo facto de existir, e de se considerar obrigado ás luctas da existencia, giza o terreno em que combate, sem orgulho, sem odios, e sem rancores pessoaes.

Volta-se para os seus irmãos no trabalho, operarios tambem—qualquer que seja a fórma por que exercem a sua actividade, e diz-lhes:

«Eu penso assim. Aqui tendes o producto das minhas meditações, e dos meus estudos. Dou-vos os lavores do meu espirito. Combatei-me, ou enfileirai-vos commigo.»

Eis a razão do livro.

Vêde, agora, a sua desenvolução.

O author crê nas inspirações grandiosas do povo, crê na mocidade estudiosa das escolas, e crê nas leis immutaveis, fataes, e inexoraveis do progresso, que acompanham a vida das gerações, e que nos conduzem a uma determinada somma de civilisação, a um especimen de perfectibilidade relativa, quaesquer que sejam os cyclos de descrença, de abjecto abatimento, de egoismo individual, e de corrupção momentanea em que se debatem as sociedades.

O author d'este livro é espiritualista.

Devotado ás leis sagradas e eternas por que se rege a humanidade, curvando-se, submisso e reverente, á vontade absoluta, que governa, e dirige o universo, pronuncia a medo, e na humildade da sua existencia, o nome do Ente Supremo, e crê firmemente, que todos os homens são iguaes. Ajoelha, e adora a omnipotencia, a infinita bondade, e sublime misericordia de Brahma, Zeus, Jezeu, Elohim, Jehovah, Allah, Osiris, Jupiter, Deus, Christna, Christo, finalmente do Eterno—qualquer que seja o nome sagrado, e mysterioso, por que as gerações modernas o pretendam appellidar.