Escalar o poder pelo poder, aceital-o em todas as condições, á sombra de todas as bandeiras, na defeza de todos os codigos, e na metamorphose de todos os principios, parece ser a maxima inspiração de todas estas phalanges, ávidas e sedentas de governo, que reputam, como suprema beatitude, o ineffavel gozo de dirigirem uma situação politica qualquer.
D'aqui vem o scepticismo partidario, a indifferença profunda, e a descrença completa do povo.
N'isto, como em tudo, o author d'este livro está ao lado do povo.
Basta.
Fecha-se este prologo com uma simples remissão ao prefacio ou introducção do livro, que fica referido.
Assim termina esta advertencia ao leitor:
«A educação, nas classes pobres da nossa terra, tem sido desprezada: o povo ignora tudo, porque tudo lhe é vedado. Convinha, pois, que á frente de um livro, que narra com singeleza as tristes vicissitudes por que a governação entre nós tem passado; que aponta, sem exagerações, como a liberdade vai sendo sophismada, fossem estampadas algumas linhas, que levassem a esperança a corações para quem a educação é um miseravel scepticismo, e a vida um sudario de pungentes dôres.»
Estas linhas, escriptas ha vinte annos, firma-as o author d'este livro, com a convicção plena de que ainda não deslizou d'estas crenças, nem renegou, n'um só momento, a religião da sua mocidade.
Em mil oitocentos cincoenta e seis, quando a pena de morte era lei entre nós, quando o homicidio legal erguia a sua sinistra, e hedionda influencia n'esta terra—terminava o author d'este livro, em presença de um tribunal e em defeza de um réo, pelo seguinte modo, a sua oração:
«Quanto a mim, resta-me a honra de ter pelejado com a forca, esta peleja solemne e derradeira. Se eu ficar vencido, se triumphar o carrasco, tanto peor para o seculo em que combati, e para a philosophia que invoquei.»