Os espiritos, para quem a libré é mais do que um distinctivo, e uma triste e crapulosa missão, porque chega a ser um sacramento imprimindo caracter,—esses, que se curvem, que se dobrem, e que degradem a face humana, varrendo, com a fronte, o pó das alcatifas e alfombras das regias aulas e alcaceres dos principes, magnates e satrapas do poder.

Pouco importa.

O vocabulo lacaio tem, na sua etymologia, a justa e bem merecida ignominia.

É a pena que a dignidade humana confere á abjecção.

Um dos primeiros—senão o primeiro escriptor d'este seculo—narra o seguinte:

«Octavio Augusto, na madrugada da batalha de Accio, encontrou um jumento a quem o burriqueiro alcunhára ou appellidára Triumphus. Este Triumpho, dotado com a faculdade de zurrar, pareceu-lhe de bom agouro. Octavio Augusto ganhou a batalha, lembrou-se do Triumpho, mandou-o fundir, e esculpir em bronze, e collocou-o no capitolio. Burro capitolino foi elle—mas ficou sempre burro.»

Eis a historia das vaidades humanas.

«O habito não faz o monge», diz a sabedoria dos povos.

As grandezas da terra são, as mais das vezes, o pelourinho de todas as ignominias—assim como do sambenito, e da cana verde da irrisão pharisaica surgem, em ondas de luz, a magestosa auréola do martyrio, e a apotheose deslumbrante, que a posteridade engrandece e divinisa.

O author d'este livro não crê nos partidos militantes, nos diversos grupos parlamentares, nas ambições e cubiças, que fervilham em torno das insignias consulares—quer se chamem opposições ou governo.