Presumo, todavia, que Vieira Godinho não logrou colligir todas as poesias do seu amigo. A Satyra, que o leitor acabou de lêr, pertence a outro codice.
Tambem possuo da letra de José Anastacio a versão muito emendada do 1.º e 3.º acto do Mafoma de Voltaire. Diz lá uma nota de Pereira e Sousa que aquelles mesmos papeis estiveram no cartorio da mesa do santo officio. Por isso eu os guardo com muita veneração, e os beijo reverentemente, pensando que elles passaram pelos bentos dedos do cardeal de Cunha, inquisidor geral.
[2] Diogo José da Serra, um escandaloso vadio d'esta cidade, tão ignorante como devasso. Este homem foi quem induziu á factura da Satyra o doutor Botija.
[3] Calumnia que os herdeiros de Francisco Dias estimariam que não o fosse. O poeta arguido de avarento morreu pobrissimo.
[4] Francisco Dias Gomes era de geração judaica.
[5] Documento inedito de que tambem possue traslado o snr. Innocencio Francisco da Silva.
[PREFACIO AO SONHO DO ARCEBISPO]
O correspondente lisbonense do Jornal da Manhã, indigitando o rastilho de futuras combustões no arranjo social das cousas portuguezas, malsina, sem nomeal-os, uns opusculos mensaes, onde se exhibem contra a casa de Bragança ineditos attribuidos falsariamente a arcebispos. Os opusculos accusados com injusta malquerença são as Noites de insomnia, e os manuscriptos arguidos de fraude são os dous innocentes dislates de um illustremente desgraçado talento, cujos autographos offereço a quem, na duvida, quizer examinal-os.
Em nenhum dos dous artigos (a Catastrophe, e D. Maria Caraca) é atacada a dynastia brigantina, e menos ainda a legalidade que assiste á testa coroada, com que mui jubilosamente me envaideço e sobremodo me honro, em nome do partido da ordem, cujo estandarte as Noites de insomnia, desde ora avante, desfraldam.