Habito de Christo a vós?[25]
Maldito seja o judeu
que lá na côrte o vendeu
tal como vossos avós!
Padecei tormento atroz,
neto de uma cominheira:
porque me dava canceira
quem não era a Deus fiel
que escapasse de um cordel,
escapando da fogueira.

A opulencia de Pedro de Baeça provinha-lhe da senhora com quem casára. Os trinta mil cruzados não lh'os aceitaram a troco da vida; mas lá foram depois, em nome da lei, buscal-os ao casal da viuva. Reduzida a penuria extrema, esta mulher fugiu para a Hollanda, onde morreu soccorrida por parentes que eram hebreus.

[19] D. Sebastião de Mattos, arcebispo de Braga.

[20] Talvez D. Agostinho Manoel de Vasconcellos.

[21] Jorge Gomes Alamo, e um filho, que entraram no Limoeiro, onde foram atormentados, e nada revelaram. Os historiadores não se occupam em lhes averiguar o destino.

[22] Este conde era sobrinho do arcebispo de Braga.

[23] No dia da acclamação do duque de Bragança, o arcebispo de Braga correu perigo de ser assassinado como amigo de Castella. E, não obstante as demonstrações hostis d'este prelado, D. João IV chamou-o ao seu conselho, afastando alguns fidalgos que jogaram a cabeça, tirando-o da cobarde inercia de Villa Viçosa.

[24] D. Agostinho Manoel de Vasconcellos, além de outras obras estimadas, escreveu: Manifesto na acclamação d'el-rei D. João IV, 1641. É extravagante cousa que publicasse um livro tão a favor de quem, no mesmo anno, o mandou degolar como inimigo.

[25] Pedro de Baeça, mercador muito rico, era cavalleiro do habito de Christo. Foi este o que melhormente pareceu comprehender a abjecção dos seus inimigos, offerecendo trinta mil cruzados pela vida. Elle sabia que o avô do rei, e os avós dos seus juizes se tinham vendido por menos a Philippe II.