Senhor marquez, eu quizera,
(testemunha me é Jesus)
de vos trocar o capuz
por sêda de primavera;
mas vossa condição fera
teve a culpa d'este mal;
que havieis de ser leal
apesar de mil traições,
quem tem tão nobres brazões
como os de Villa Real.
Ao duque de Caminha
E vós, duque, porque não
podéreis isto fazer,
mudando de parecer,
pois do marquez a tenção
era sómente traição:
e já que mal attentado
e com tão pouco cuidado
vos quizestes derrotar,
para tudo se acabar,
soffrei o ser degolado.
Ao conde de Armamar
Em theatro hão de parar
vinte e dous annos de idade,
e de Braga a falsidade
faz a taes transes chegar[22]!
Mas se o conde de Armamar
olhára para seu tio
no dia de nosso brio
que jogava o esconder,
nunca viera a perder
em tal peça tal feitio[23].
A D. Agostinho Manoel
Um Manifesto fizeste
que foi manifesto a todos,
e agora com baixos modos
a tudo contradisseste.
Outro tambem compozeste
quando estiveste na côrte;
e, por não seguir o norte
com que por cá navegaste,
por indiscreto, ficaste
tambem manifesto á morte[24].
Ao mesmo
E já que de tal maneira
te quizeste manifestar,
sabe-te determinar
n'esta hora derradeira:
não sendo tal a cegueira
com que até agora viveste,
se no que compozeste
te mostraste declarado,
hoje que és degolado
sente o mal que te fizeste.
Ao perro do Baeça