Levantei-me cedo para esperar o carrasco.

Luiz «o Negro» nascera no lugar de Capelludos d'Aguiar, freguezia de S. João Baptista, e comarca de Villa Pouca de Aguiar, a sete de maio de mil oitocentos e seis.

Entravamos, então, n'uma das mais dolorosas épocas da nossa historia moderna. Adejavam por sobre a peninsula as aguias do imperio, e rasgando o vôo iam penetrar nas nossas fronteiras. Queria o ambicioso da Corsega, como um dos conquistadores do paiz da aurora, açoutar as vagas indomitas e enfurecidas do oceano nas extremas do occidente.

Napoleão ia decretar, no seu olympo de Fontainebleau, que a dynastia de Bragança cessára de reinar, e sentia-se já, pelo silencio da noite, o ruido pavoroso da marcha compassada dos legionarios das Gallias.

Se os Braganças, como os patricios da velha Roma, tivessem esperado o Brenno moderno, sentados nas cadeiras curues, na omnipotencia augusta do Lacio!...

Não esperaram! Fugiram apavorados e... nervosos, para além do Atlantico. Deus lhes perdôe.

Chego a crêr—o Eterno se amerceie de mim se erro—que esta absurda e ephemera conquista foi a alvorada da liberdade em Portugal.

Receio pouco que me alcunhem, agora, de jacobino ou afrancezado. O anathema actual macúla, fere e extermina sómente, n'estas horas d'angustia afflictiva e demorada para toda a democracia europêa, os alcunhados defensores, aqui, da fusão iberica e do cantonalismo peninsular. Para todos os outros heresiarchas ha perdão nos amplos recintos da politica orthodoxa. Os Mac-Mahons e Serranos nasceram para edificação das monarchias. Substituiram os Lafayettes e Monks de todos os tempos.

Para serem apedrejados e expostos ás ignaras vaias da multidão temos nós Victor Hugo e Garibaldi no nosso seculo.

Christo, em Jerusalem, antes de suppliciado, percorreu as ruas vergando sob o lenho do seu proprio supplicio.