* * * * *

Ao impardecer da tarde, José de Almeida foi procurado na pharmacia da Lameira, onde então florescia um boticario que parecia immortal pelas sandices originaes—e ninguem já hoje se lembra d'elle! Este paiz não é para ninguem; desenganêmo-nos.

Era João Pacheco a chamal-o de parte para lhe dizer:

—Acabo de ser procurado por dois sugeitos de Braga, que se dizem padrinhos do desafio a que sou reptado por parte do Abreu. Respondi-lhes que eu enviaria pessoa com quem se entendessem.

—Estou ás tuas ordens—condescendeu promptamente Almeida, que era padrinho vitalicio de todos os duellos d'aquelle tempo na sua briosa cidade.—Que arma escolhes? sabre? florete? pistola?…

—Mais devagar—atalhou o morgado de Val-Escuro—O Abreu não joga arma nenhuma. O meu mestre de tiro foi o marquez de Niza; de sabre foi o Chico Bellas, e de florete o Petit. Sei pouco; mas sei mais que Alvaro. Se lhe acceito o duello, vou seguro da minha superioridade, e, pouco mais ou menos, não sahirei do campo com a consciencia mais tranquilla que um homicida. Vai tu, se me queres obsequiar, dizer isto aos padrinhos.

José de Almeida voltou á noite.

—O Abreu teima em bater se—disse elle—Quer duello de morte, pistolas carregadas e desfechadas á ponta de lenço.

—Vai declarar aos padrinhos que acceito—deliberou serenamente João
Pacheco.

—Estás doido?!