—Sim? Agora vejo que o homem, no duello, obedecia ao costume.
—E, quando sahe, fecha-a n'um quarto de cantaria que lá chamam a «torre,» e até dos creados a zela!
—Que amor, e que conceito ella lhe merece!—disse Almeida com a seccura ironica do seu genio quando as situações demandavam piedade.
—Eu vi-a ha quinze dias na egreja de Refojos. Que mudança! Está escaveirada, sem atavios, o desalinho da desgraça… Fez-me compaixão! O marido estava á beira d'ella; não pude se quer dizer-lhe que fugisse.
—Mas a mãe… assim a deixa desprotegida?
—A mãe definha-se; e não sabe tudo o que ella soffre, porque a filha não se queixa…
—Não intendo essa resignação!—objectou Almeida.
—Intendo-a eu. Irene era descompassadamente estupida a respeito de certas coizas…
—A respeito de todas, pensava eu—emendou o portuense.
—Cuidou que o matrimonio era o concerto de certos aleijões com que fôra d'aqui de Vizella.