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No anno seguinte, a floresta de amieiros do Vizella já não deu sombra e frescura a nenhum dos seus hospedes do anno anterior.
A José de Almeida e a mim figurou-se-nos que as frondas do salgueiral afestoavam um tumulo. Doeu-nos pungentissima a saudade de João Pacheco. Nunca mais alli voltámos.
Estavam nas Caldas a morgada velha e o abbade de Santa Eulalia.
Irene e seu marido Alvaro de Abreu esperavam-se mais tarde.
Esperava-os D. Helena; mas o abbade secretamente nos disse que D. Irene nem o marido tornariam a Vizella em dias de sua vida. Segredou-nos que a morgadinha, ao oitavo dia de cazada, tentara fugir para a mãe…
—Oh!—exclamou Almeida—ao oitavo dia! que lua de mel!
—A meu ver—piscou o abbade entortando a bocca disformemente—esta lua de mel recebia a luz reflexa d'aquell'outra lua-cheia aqui das Caldas, tão sua conhecida, sr. Almeida…
—Maganão! o abbade é o calendario de todas as luas que alumiam ha trinta annos os amores nocturnos de Vizella…
—O que o sr. não sabe é que o marido lhe bate ás cegas…