—Cinco—responderam todos, abrindo os relogios, excepto João Pacheco.

—Singular caso!—disse elle—tenho este relogio ha doze annos: é a primeira vez que pára, tendo corda. Se o ar sulphurico de Vizella tiver sobre o dono a influencia que tem sobre o relogio, serei obrigado a parar; e parar, diz não sei quem, é morrer.

—Mas é que tu precizas de corda…—remoqueou Alvaro.

—De corda precizo; de carrasco é que não, contando comtigo—redarguiu Pacheco.

—Apanhe aquelle pião á unha, sr. doutor!—exclamou o abbade de Santa
Eulalia.

As duas morgadas riram-se com bastante intelligencia; e o José de Almeida, golphando tres novêllos de fumo da pipa do cachimbo turco, regougou:

—Bem boa! bem boa! essa vou escrevel-a…

E tirou a carteira.

Alvaro de Abreu enfiou. As damas fitavam-no de modo que o esporeavam a desforrar-se. O rizo vingativo do abbade torturava o; e, por fim, o silencio de todos era um commum vexame: sentia-se mortificada a gente.

D. Helena da Penha ergueu-se do seu frouxel de junco e relva, dizendo: