A mim?… a um homem muito diverso que ha vinte e quatro annos tinha o meu nome, e esse tal era o ultimo do grupo.

* * * * *

Dizia João Pacheco a José de Almeida uma vez:

—Este Abreu, se não tivesse cartas de bacharel, seria um homem regular; porém, como não advoga, nem faz leis, nem as interpreta, quer á força mostrar que a formatura lhe deu alguma distincção. Faz espirito. Traz sempre comsigo as pilherias requentadas que forrageou em Coimbra, e não perde lanço de as desfechar contra o abbade ou contra mim, se D. Irene lh'as pode victoriar com o sorriso parvoeirão. Eu já lhe disse que os seus gracejos incommodavam o abbade e me não lisongeavam a mim. Se não se emendar, um dia jogo-lhe um remoque desagradavel, e amordaço-o na presença da menina.

Isto dissera João Pacheco n'aquelle dia em que o grupo, á hora da sesta, se embrenhou no salgueiral.

N'esta occasião, Alvaro d'Abreu refinara no sestro da mordacidade. O coração tem crises de embriaguez e sobre-excitações sanguineas que refluem ás bossas craneanas. A morgada naturalmente deixara-se apertar suavemente nas pôlpas do antebraço e correspondera á pressão voluptuosa. O bacharel, a meu ver, esponjava as suas chalaças da abundancia do coração. Eu tambem tive dóze na sua liberalidade. Estava eu a intalhar um M na casca de um amieiro. Era inicial de uma das cinco Marias que eu amava.

—Esse M, disse elle galhofando, pode significar uma celebrada exclamação vociferada por Cambronne em Waterloo.

Prove a exclamação historica—interveio José de Almeida, vingando-me com aquelle riso percuciente d'elle.

Todos perceberam, salvante as damas, que não conheciam os aromas da historia de França.

—Que horas são?—perguntou enfastiada a morgada Irene.