No dia seguinte D. Mafalda offereceu-se para me apresentar a um seu sobrinho, proprietario d'um estabelecimento industrial importante nos suburbios do Porto. Aceitei gostosa e promptamente. Fui recebido com extrema bondade e franqueza. O sobrinho de D. Mafalda gosava uma felicidade digna de ser invejada; era casado com uma mulher, que era um anjo de belleza e bondade, e tinha um filho o mais lindo e traquinas que se póde imaginar; o seu estabelecimento florescia e prosperava; o seu nome figurava entre os principaes e os mais honrados do mundo commercial e industrial, n'uma palavra nada faltava á sua gloria, fortuna, e felicidade domestica.

--Que pensa de meu sobrinho?--me perguntou D. Mafalda, quando nos retiramos.

--Ah! minha senhora, nada mais ambiciono do que poder imital-o.

--Pois aquelle que viu é o Roberto da minha historia.

Recolhi-me a casa fazendo para mim as seguintes reflexões: Que a regeneração do homem pelo arrependimento não é utopia, e que a sociedade e a sua organisação é que são as causas principaes, que occasionam que muitos de seus membros não se regenerem, por lhe embargarem ou matarem logo algumas centelhas de virtude, que ainda tinham no coração.

Pensem, e verão o corollario que tiram.

FIM.

Nota do transcritor:

A edição da obra aqui transcrita foi publicada em 1863 num volume que continha 3 romances denominados: Annos de Prosa, A Gratidão e O Arrependimento.